Scott Pilgrim Contra o Mundo

•maio 19, 2011 • Deixe um comentário

Quem nunca se apaixonou por uma garota em sua adolescência e por ela passou apertos incríveis, só para ficar ao seu lado? Quem nunca foi um desempregado por opção e vivia a curtir sua musica sem que nada alem disso importasse? Pois bem, essa é a HQ certa para essas pessoas.

Uma breve história… Voltando um pouco no tempo, lendo as informação sobre quadrinhos, me deparei com uma noticia sobre a publicação de uma história que me parecia muito interessante, com bastante referências aos videogames da década de 90 e a mangás, em seu traço e forma narrativa. Porém, descobri que todos os cenários da história são reais, e presentes na cidade de Toronto.

A série é muito conhecida também pelas referências a cultura pop no cinema e música. Criado pelo quadrinista Brian Lee O’Malley, Scott Pilgrim é um canadense de aproximadamente 24 anos, preguiçoso, anti-herói, roqueiro de garagem, que vive em Toronto, Canadá, e é baixista na banda Sex Bob-OMB. Ele se apaixona pela entregadora de encomendas da Amazon.com, Ramona Flowers, mas deve derrotar os sete “ex-malvados” (ex-namorados do mal) da garota liderados por Gideon, para poder ficar com ela. Diferente de Kick Ass (outro grande exemplo de revista em quadrinho atual), nosso herói não é um Loser (termo americano para perdedor, mesmo não sendo) por ser assim chamado, mas por opção. A premissa da história é simplesinha, bem rasa, mas quando você se dispõe a conferi-la, vá por mim, é uma das experiências mais incríveis que se pode ter lendo uma revista, pois não conseguia tirar os olhos, queria devorá-la o mais rápido possível. Diferente da versão americana, composta por seis volumes, a versão brasileira veio com apenas três volumes, as historias foram unidas, alternativa até interessante pois o formato que chegou as nossas livrarias é  bem superior ao formato americano.

Capas Originais

Capas Brasileiras

Com uma narrativa bastante fluida, somos apresentados aos personagens que são extremamente bem construídos e bem desenvolvidos, Stephen Stills, Kim Pine, Knives Chau, pequeno Neal, Wallace Wells (confesso que é o personagem mais interessante, é o amigo beberrão de nosso herói, e gay assumindo), tão marcantes quanto nossos protagonistas, o quadrinho faz idas e vindas no tempo para nos mostrar como nosso herói tem muitas qualidades e também seus defeitos, não sendo um ser humano perfeito.

As pessoas menos entrosadas com esse mundo de videogames antigos, poderão estranhar, e até mesmo não gostar desse quadrinho, uma prova disso é quantidade de volumes encalhados nas livrarias que freqüentei até montar minha coleção. Vá por mim, eu fiquei fascinado com todo o mundo de Scott Pilgrim, entrando no roll seleto dos meus melhores quadrinhos!!!!!!!

A única ressalva que faço é, não compre apenas um volume para depois ir comprando os outros volumes aos poucos, pois o mundo de Scott Pilgrim é fascinante, e merece ser descoberto de uma única vez, balela pura você não que não agüenta a espera!!!!!!!!!!!!!!

Ps. Já foi feita uma adaptação dos quadrinhos ao cinema, não vou comentar aqui pelo simples fato de não ter assistido, mas assim que conferir coloco um post a respeito.

Elenco reunido para foto

Nosso Herói

Sucker Punch – Mundo Surreal

•março 31, 2011 • 2 Comentários

O diretor Zach Snyder, dos eficientes Madrugada dos Mortos e 300, e do incompreendido Watchmen, tem uma tendência em priorizar o visual, e é por isso considerado por muitos um visionário, exceto no seu primeiro longa, Madrugada dos Mortos. Devido a essa qualidade, conseguiu se estabelecer com segurança entre os realizadores mais bem-sucedidos da atualidade – e merecidamente, já que realmente é um diretor com um belíssimo olhar para composições e com dom para o espetáculo. Talvez movido por esta convicção, entregou Sucker Punch a um exercício entediante (em vários sentidos, como verão), parece apostar na força de suas imagens em detrimento da história, dos temas ou mesmo do puro entretenimento, criando um longa indiscutivelmente belo, mas inegavelmente vazio.

Partindo de uma idéia própria, um roteiro de sua autoria em parceria com Steve Shibuya (estreante como co-autor) o longa narra a história da garota Babydoll, a bela Emily Browning que depois de um acidente causado por uma situação desesperadora, é confinada em um hospício por seu padrasto. Faltando cinco dias para a chegada do médico que vai lobotomizá-la, encontra em sua imaginação uma maneira de se proteger. É nesse mundo de fantasia que, com a ajuda de suas amigas Rocket (Jena Malone), Blondie (Vanessa Hudgens), Sweet Pea (Abbie Cornish) e Amber (Jamie Chung), Babydoll terá que executar um plano desesperado, sua única chance de salvação. Ela se imagina vivendo em uma espécie de cabaré-prisão onde as detentas devem participar de shows burlescos montados para uma clientela selecionada. E este é apenas o primeiro nível de seus esforços imaginativos, já que ocasionalmente ela escapa para um segundo universo no qual é uma super-heroína (de videogames, provavelmente) que deve cumprir missões específicas planejadas por um sujeito misterioso, o sumido Scott Glenn.

Com uma narrativa que não tem espaço para sutilezas, o filme vai se desenvolvendo como os outros projetos do diretor, com cenas fortes, mas filmadas com a mais pura beleza, o que já nos mostra que seu estilo se diferencia de outros diretores de sua geração, sempre prezando pelo visual (como citei anteriormente), compondo um painel com grande quantidade de cores em certos momentos, e em outros com muitos tons acinzentados.

Com referências de A Origem, Moulin Rouge, Um Estranho no Ninho e porque não dizer de Showgirls, o filme vai tomando contornos de jogo de videogame, onde a nossa heroína vai ter que vencer fases, recuperar itens e chegar ao próximo estágio. Tudo isso com instruções que parecem mensagens de biscoitos da sorte proferidos por Scott Glen.

No meio dessa salada pop Zach Snyder desenvolve ou desenrola seu filme com um monte de referencias a RPG’s, videogames, cultura CyberPunk, entre outras, passaria o resto do dia para determiná-las.

E é justamente por isso que seu filme perde em conteúdo de cinemão pipoca, sendo um diretor egresso de videoclips, nas cenas de ação, o filme parece um amontoado de clips que foram se juntando com um fiapo de história e belas imagens e daí se tirou a película. Cinema não é um amontoado de clips, precisa ter uma historia bem contada, personagens bem desenvolvidos e o principal, que o maestro de tudo isso saiba o que está fazendo, que caminho está tomando.

Com um elenco feminino tentador, as interpretações soam rasteiras e, às vezes, canastronas, não tendo um desenvolvimento de personagens. Com uma protagonista que em diferentes emoções não muda a fisionomia, fica muito difícil acreditar que aquilo tudo possa ser verdade. Pelo pouco desenvolvimento de personagens, em momento algum conseguimos nos identificar com os dramas pessoais de cada um, um exemplo disso, uma das grandes promessas mirins, a atriz Jena Malone, simplesmente leva o filme no automático, enquanto outras mal abrem a boca. No elenco adulto há de se ressaltar o ator Oscar Isaac, que se parece bastante com Rodrigo Lombardi (aquele ator Global que a mídia empurra goela abaixo dizendo ser um galã), tem uma atuação tão caricata quanto. A única exceção é a atriz Carla Gugino, que se sobressai como a psicóloga do sanatório, mas nada que impressione. O longa mostra-se obviamente apaixonado por suas atrizes ao mesmo tempo em que estabelece os personagens masculinos como criaturas gordas, suadas, violentas e repulsivas, o que não é necessariamente ruim.

Contudo, a película, tem seus pontos positivos. As cenas de ação são muito bem orquestradas, devido a grandeza de detalhes e sua beleza sendo melhor apreciados na sala escura, o som do filme é muito bom, os efeitos são muito bem encaixados durante a projeção e finalmente, a trilha sonora, maior êxito de Sucker Punch, que nos brinda com versões de musicas de bandas como o Pixies (Where is my mind), o potente The Stooges (Search and Destroy), cantado com a mesma fúria por um grupo a um bom tempo sumido Skunk Anansie, Bjork, e Sweet Dreams do Eurythmics, são exemplos.

Circula na internet um fato curioso, o filme foi muito comparado a um dos grandes filmes do ano passado, A Origem, de Christopher Nolan, por se tratar de universos desconhecidos, de pensamento dentro de pensamentos, e por referências a outros assuntos. Os defensores alegam que o filme do Nolan era muito explicativo, e que poucas pessoas enxergaram as referencias contidas neste (Sucker Punch). Tenho certa opinião, que para um filme ser bom não precisa que você saiba todas as referencias dele, mas que você sinta o filme, que ele cative, e que, acima de tudo, o contador nos passe a sensação que tudo aquilo visto na tela está acontecendo, nos levando a embarcar na história, uma coisa que em momento algum consegui.  Acredito que era um filme com um grande potencial, mas o idealizador não enxergou da maneira que deveria, o excesso de megalomania falou mais alto. Sendo o primeiro erro numa carreira que acredito ainda ser promissora, as falhas cometidas podem se transformar em acertos num futuro próximo. Deus queira que esse acerto, seja no próximo filme, a nova reinvenção do Superman.

O Ritual

•março 2, 2011 • 1 Comentário

Depois de um hiato de quase um ano sem escrever neste blog, vou falar sobre um filme que me chamou muito a atenção, pude conferir ontem e confesso que superou e muito minhas expectativas.

Dirigido pelo diretor Mikael Håfström, dos competentes 1408 e Fora de Rumo, o filme é uma grata surpresa no mundo de mesmice que impera nas produções Hollywoodianas dos últimos anos, mesmo não sendo uma refilmagem ou uma franquia já pré-estabelecida.

Baseado no livro The Rite, de Matt Baglio, o filme mostra um seminarista reticente sendo enviado ao Vaticano para um curso de exorcismo. Baglio, um jornalista que conviveu com tais clérigos especializados em expulsar o mal, decidiu escrever um livro relatando as experiências do citado padre, Gary Thomas, quando foi alardeado que a Santa Sé visava colocar um exorcista em cada uma de suas dioceses.

Na verdade, o protagonista do filme, com quem se perde muito tempo é um jovem pobre, que vai para o seminário porque assim pode ter uma educação melhor. Só que não tem fé e pensa em largar o convento (um superior dele o ameaça até de cobrar-lhe o que foi gasto em educação com o moço). Quem faz o papel de Michael Kovak interpretado no filme pelo pouco conhecido Colin O’Donoghue, inexpressivo a não ser pela presença de dois luminosos olhos azuis que sempre são ressaltados em cena.

Mandado para a Itália, o país da moda no momento no cinema, para estudar numa escola  superior de exorcismo ele vira aluno do Padre Xavier (Ciaran Hinds) que o irá encaminhar para a figura alquebrada do Padre Lucas Trevant vivido com grande força pelo grande ator Anthony Hopkins (que se tornou um ator repetitivo seus personagens são nuances de seu personagem mais marcante Hanibal Lecter ) que vive numa aldeia, na tarefa anônima e cotidiana de realizar exorcismos, na luta contra o diabo (no caso, uma menina que parece dominada por ele, que está disposto a levar uma batalha sem tréguas).

O que mais me surpreendeu no filme, foi a maneira como o mesmo foi conduzido, sem cenas que lembram o terror gore (de muito sangue) que está tão em alta no cinema mundial, e dando ênfase mais aos diálogos e o certo clima de suspense que o filme vai tomando com o andamento da projeção. Na verdade é um filme de terror que não pretende nos mostrar sustos fáceis (não que eles não existam), mas ele tem a intenção de mostrar a parte realista do ato do exorcismo em si. Não esperem giros de pescoço, vômitos verdes, blasfêmias, esse tipo de coisa que se convencionou em filmes do tipo, como o Padre Lucas deixa bem claro em uma pergunta feita pelo padre Michael.

Um dos problemas do roteiro, o grande astro do filme, o veterano Anthony Hopkins só aparece no filme depois de meia hora de projeção. Com uma atuação bastante segura e eficiente, ele nos mostra porque é um dos melhores da sua geração, falando muito em italiano, tem várias nuances (como ficar cansado, ate mesmo em certo momento possuído pelo diabo), sempre acrescentando um pouco de humor. Em contrapartida o protagonista Colin O’Donoghue (sempre cético quanto aos métodos utilizados pelo padre Lucas, vendo nestes farsas, e sempre com explicações cientificas para tais atos) não mostra-nos a força que o personagem exige, com feições quase sempre idênticas, nunca nos convencendo. O elenco secundário se mostra uma escolha bastante acertada, a sempre competente Alice Braga (com uma carreira bastante promissora no cinema), fazendo uma jornalista que investiga sobre exorcismos, interpretando em um excelente inglês, Ciaran Hinds como o padre que ministra o curso sobre exorcismos, a bela Marta Gastin, (que não conhecia) como a garota possuída pelo demônio, o ator Toby Jones, como o professor mais próximo de Michael e Rutger Hauer como o pai de Michael, esses dois últimos em pequenas interpretações.

Como havia falado anteriormente pelo fato de ser um filme que não segue uma formula pré-estabelecida para filmes do gênero, muitos vão sair do cinema decepcionados, mas quem procura um filme interessante, que nos passa o clima de insegurança e o mais assustador de tudo isso, baseado em fatos reais, pode assistir vale à pena conferir em tela grande.

A partir de agora não atribuirei notas, deixarei a critério de cada leitor decidir ou não a conferida no filme.

Kick Ass

•julho 29, 2010 • Deixe um comentário

O que aconteceria se um jovem adolescente decidisse seguir os passos das revistas que lê, e resolvesse da noite para o dia se tornar um herói. Simplesmente vestindo uma roupa verde de látex e com dois bastões para utilizar como arma, contra os bandidos. Essa é a simples premissa de um filme que tem tudo para virar um Cult. O filme começa com a descrição do nosso personagem, como sendo um cara simples de um subúrbio americano que divide o tempo no computador, conversas com amigos sobre quadrinhos, a efervescência adolescente aflorando e o hábito de ver TV. Como ele se define, ele não é um Nerd, não é um cara bonito, e para piorar a situação ele é o menos notado entre seus amigos, como a maioria dos jovens de hoje em dia, um Total Loser!

Inspirado na ótima graphic novel de John Romita Jr. e Mark Millar (este último responsável pelos quadrinhos que geraram O Procurado), o roteiro de Jane Goldman e do próprio Matthew Vaughn gira em torno do adolescente Dave Lizewski (Aaron Johnson), que, frustrado com a própria vida (“Eu apenas existia.”), é tão inseguro que decide se passar por gay para poder ficar próximo à garota de seus sonhos. Leitor ávido de quadrinhos, ele resolve criar um alter ego que lhe permita assumir uma postura mais determinada e é então que se apresenta ao mundo como Kick-Ass, um vigilante mascarado que logo descobre que a realidade não é tão simples quanto à ficção. Enquanto isso, somos apresentados também ao ex-policial Damon Macready (Nicholas Cage) e à sua jovem filha de 11 anos, Mindy (Chloe Moretz), que, como Dave, encarnam uma dupla de justiceiros: Big Daddy e Hit-Girl, que se dedicam a combater a quadrilha comandada pelo poderoso gângster Frank D’Amico (Mark Strong) “Cinema em Cena”.

Utilizando sem nenhuma restrição o material original, o diretor Matthew Vaughn transforma Kick Ass em interessante exercício de metalinguagem, onde isto nos é mostrado em vários momentos do longa, exemplos disso quando o rosto de D’Amico aparece no mesmo instante em que o mesmo é pintado por Big Daddy, ou até mesmo como a origem do herói nos é contada por uma narrativa em quadrinho que é simplesmente fantástica. Da mesma maneira, se o cineasta remete até mesmo às elipses típicas das graphic novels ao empregar letreiros como “Enquanto isso…”, tampouco hesita em fazer referências ao próprio Cinema, como no divertido momento em que o herói-narrador alerta o espectador para que este não o considere imbatível apenas por estar ouvindo sua voz em off.

Durante toda a projeção temos a sensação que todo o contexto da historia é perfeitamente crível, dentro da realidade que nos é mostrada nos dias de hoje, a influência que os sites de redes sociais tem na vida das pessoas, o poder que o youtube tem em fazer com que nada passe despercebido, todas essas ferramentas são mostradas na película, dando um toque até mais interessante do que a concepção nos quadrinhos. Mesmo sendo um filme juvenil, vemos a influencia dos filmes de Batman na projeção, tendo um tom muito mais realista do que o filme nos mostrava a cada informação que nos era passada durante o período de filmagem, pré e pós-produção.

Devido a todas as qualidades do filme, nada disso seria possível se o diretor Matthew Vaughn não tivesse personagens que fossem criveis durante toda a narrativa, a escolha de um nome desconhecido para fazer o protagonista foi de extrema inteligência, que, assim, funciona como uma tela em branco na qual o espectador pode facilmente se projetar – e seu jeito inseguro e sua voz trêmula de adolescente certamente contribuem para que, no mínimo, nos identifiquemos com sua vulnerabilidade constante diante de todas aquelas ameaças.  Christopher Mintz-Plasse o eterno McLovin utiliza dos maneirismos que aprendeu com seu personagem do filme Superbad para ter uma atuação apenas discreta. No entanto Nicholas Cage parece ser uma escolha certa para desempenhar o papel de Big Daddy, por ser um personagem excêntrico, e que tem extrema devoção pela filha independente da maneira como isso se manifesta. Mas a maior sacada do diretor foi à escolha de Chloe Moretz para viver os personagens de Mindy e Hit Girl, a atriz que tive a oportunidade de ver pela primeira vez em cena no filme 500 Dias com ela, que me parecia um pouco deslocada no filme, mas em Kick Ass a vemos em ação e não vejo outra atriz mirim para encarnar personagem tão complexo e com tanta perfeição, ela me lembrou a personificação de dois outros personagens, a Noiva de Kill Bill de Tarantino vivida por Uma Thurman (pela habilidade com que empunhava a espada para destroçar bandidos) com Mathilda ( pela relação de ternura com seu pai) interpretada brilhantemente por Natalie Portman. Sendo com isso o maior acerto da produção.

O diretor Matthew Vaughn, iniciou a carreira como produtor dos filmes e outro diretor inglês Guy Ritch, e teve como primeiro trabalho atrás das câmeras o filme Nem Tudo é o que Parece protagonizado pelo atual James Bond, Daniel Craig, e se mostrava um diretor de bastante capacidade na sua estréia retratando o submundo do crime inglês. Já se mostrava ter domínio de seu produto sem se perder dentro do mesmo. Não foi por conflito geográfico e de agenda, como alegou, que deixou a direção de X-Men 3, às vésperas da filmagem. Agora fica evidente que ocorreram divergências criativas. O inglês parece ser do tipo que faz questão de plantar suas próprias idéias.

Contudo Kick Ass não é um filme de fácil digestão, não pelo fato de uma criança de 11 anos proferir palavrões inclassificáveis, mas por a mesma ser treinada pelo pai para ser uma assassina fria e calculista, (fato que nós brasileiros já vimos no ótimo Cidade de Deus,de Fernando Meirelles). Dentro desse contexto o filme não se encaixa nos padrões Hollywoodianos, fato que provocou uma serie de protestos de uma minoria de pessoas que desconheciam o teor da revista em que foi baseado o filme. E também não é um filme violento como a mídia quis vender, mas como um bom produto de entretenimento, que cada vez mais é artigo raro nos dias de hoje, não tendo seu reconhecimento nos dias de hoje, mas num futuro próximo.

Nota: 8,5

As Melhores Coisas do Mundo

•maio 14, 2010 • Deixe um comentário

Fui pego de surpresa quando vi a propaganda de um filme nacional que estampava na capa a presença de atores desconhecidos e um ator da Malhação de nome Fiuk, Com todos esses predicados, nada mais justo que criar certo preconceito ao filme que estava por vir. Mas, depois que vi uma série cotações positivas do filme em sites que freqüento, aquela projeção me trouxe uma curiosidade que me tomou de assalto, com isso, fui obrigado a procurar informações necessárias para matar a minha curiosidade sobre o filme e se haveria a possibilidade de conferi-lo nos cinemas.

Quando vi que se tratava de Laís Bodanzky, rapidamente me veio à mente o nome dessa jovem diretora brasileira que lançou dois ótimos filmes Bicho de sete cabeças (responsável por alavancar a carreira de Rodrigo Santoro) e Chega de saudade. Com um currículo assim já se passa certa credibilidade pelo trabalho que há por vir.

E foi com esse pensamento que comecei a ler tudo que fui encontrando sobre o filme, e minha vontade de puder vê-lo nos cinemas foi aumentando a cada texto, entrevista e afins me deixavam extremamente curioso.

Com uma narrativa envolvente, As Melhores Coisas do Mundo trata de conflitos adolescentes, não os que estamos acostumados a presenciar em séries televisivas, os adolescente reais, e é nesse contexto que conhecemos Mano, personagem principal vivido por Francisco Miguez, um adolescente de 15 anos que está enfrentando todos os problemas que vêm com a idade – a cobrança dos amigos para perder a virgindade, a busca por um lugar na sociedade, a paixão não correspondida, etc. – e ainda o bônus que é ver seus pais (Denise Fraga e Zé Carlos Machado) se separarem. Seus melhores amigos são Carol (Gabriela Rocha) e Deco (Gabriel Ilanes). E seu confidente, o professor de violão Marcelo (Paulo Vilhena).

Escrito por Luiz Bolognesi, parceiro habitual (e marido) de Bodanzky, o roteiro é uma adaptação da série de livros paradidáticos “Mano” concebida por Gilberto Dimenstein e Heloísa Prieto, (que não conheço), que são utilizados nas escolas pelo Brasil.

Os conflitos a que os jovens passam são retratados com a veracidade que a obra exige, uma exigência que a própria diretora quis adequar a sua obra. Para se ter um toque mais realístico, o filme não tem uma historia determinada e sim vários arcos de historias que envolvem o nosso personagem principal. Grande parte do mérito disso se deu a diretora que pra coletar informações para definir que caminho percorrer ela fez sua pesquisa de campo onde passou um ano em discussões com adolescentes da classe media paulistana em escolas, onde os mesmos fizeram um pacto de não liberar informações sobre essas conversas.

Como conseqüência eles descobriram todos os dilemas que os jovens dessa fase da vida passam, a questão da aceitação perante os colegas, drogas, homossexualismos todos os assuntos possíveis.  E foi nessas rodas que a diretora conheceu os protagonistas do filme, com um elenco dominado por estreantes As Melhores Coisas do Mundo é povoado por uma galeria de rostos impossivelmente jovens e sem estragos provocados pelo tempo (embora as espinhas se façam presentes, claro), mas que, ainda assim, encarnam seus personagens com total entrega e imenso talento. Além disso, o roteiro de Bolognesi não comete o erro tão comum de construir diálogos que, buscando soar elegantes ou bem esculpidos, soariam artificiais saindo da boca daqueles atores – e, assim, quando um adolescente tenta seduzir uma colega, não consegue dizer mais do que um atrapalhado “Seus olhos… tipo, sei lá… seu jeito de falar… você é uma mina de conteúdo”. Não é Shakespeare, mas é inquestionavelmente honesto.

Mostrando-se uma película superior a seus antecessores, novamente Laís Bodanzky, foge do caminho fácil e convencional na escolha dos temas abordados em seus filmes, (estigma de filme do cinema nacional) que apenas denuncia a situação social do país.  Aliás, Bodanzky vem se revelando uma diretora cada vez mais segura, demonstrando, aqui, inteligência ao conduzir a narrativa visualmente: se nas seqüências que se passam na escola ela adota planos mais abertos que insiram os personagens ao mundo que freqüentam, imprimindo energia ao filme, em outros momentos mais pontuais ela não hesita em investir em closes que expõem os sentimentos dos personagens, como na conversa entre Denise Fraga (sempre ótima) e Miguez no carro ou no abraço emocionado entre este último e seu irmão (vivido, diga-se de passagem, com grande intensidade por Fiuk). Além disso, a cineasta é hábil ao evocar a introspecção de Mano em duas seqüências envolvendo time lapse ou ao retratar o choque e assombro do garoto ao perceber que toda a escola descobriu um segredo sobre sua família, quando então o som forte das batidas de seu coração parecem deixá-lo surdo para o mundo à sua volta.

A escolha dos protagonistas também foi acertada, para dar um toque de qualidade ao filme, Denise Fraga tem sua qualidade habitual apresentada como a mãe de fisionomia desgastada pelo tempo graças a um casamento malsucedido. Enquanto isso, Caio Blat e Paulo Vilhena, atores também jovens, curiosamente assumem papéis de figuras de autoridade, o que não deixa de se revelar uma escolha interessante: como o professor de violão de Mano, Vilhena compõe um músico tranqüilo que, ao mesmo tempo, sabe ser crítico quando necessário (ao perceber que o aluno não havia praticado em casa, ele diz: “Isso, vamos queimar a grana da família!”) – e é fácil perceber por que Mano passa a confiar nos conselhos do sujeito. Já Blat, como um professor de Física, surge como um mestre capaz de inspirar os alunos sem apelar para a autoridade, conseguindo também sugerir detalhes sobre o passado do personagem sem ter muito tempo de tela (reparem, por exemplo, como ele se mostra decepcionado ao ouvir a diretora da escola repreendendo-o por se aproximar dos alunos, numa sugestão clara de que, quando aluno da instituição, ele próprio se tornou próximo daquela profissional).

Outro fato interessante a ser tratado é a abertura do filme em que o mosaico de imagens que aparecem remetem aos estado emocional de cada personagem, fato que é uma grande sacada para se saber mais ou menos o que veremos pela frente.

Depois de nos apresentar àquele universo e ao seu jovem e imaturo herói, que não hesita em fazer uma caricatura cruel e preconceituosa de uma colega de sala ou em condenar um professor sem ter razões para isso, o filme ilustra com talento o amadurecimento daquele menino que, ao final da projeção, pode ainda estar longe de ser adulto, mas que inquestionavelmente se encontra a caminho de se tornar um belo ser humano.

Nota: 9,0

Medo da Verdade – Gone Baby Gone

•maio 14, 2010 • Deixe um comentário

Depois de um inicio promissor como roteirista ganhador do Oscar pelo filme Gênio Indomável (Good Will Hunting), o ator Ben Affleck (juntamente com seu amigo e parceiro Matt Damon), passou por um período turbulento na sua carreira, excesso de filmes com gostos duvidosos, altos e baixos como ator, e alguns escândalos. O ator tem se mostrado disposto a recuperar o tempo perdido, como se percebe nos últimos trabalhos que o mesmo tem realizado. Com uma atuação mais que segura no filme Hollywoodland – Bastidores da Fama interpretando o ator George Reeves que ficou conhecido apenas pelo Superman na televisão, Ben Affleck tem mostrado um fôlego e nos deu provas de que tem potencial para ser um bom ator e que pode ter as rédeas da própria carreira.

Nessa retomada do tempo perdido, o ator e roteirista dirigiu um pequeno filme, mas grande em essência. Baseado no Romance Gone Baby Gone de Dennis Lehanne. O filme narra a história de dois detetives particulares vividos pelo casal Casey Affleck (irmão na vida real de Ben) e Michelle Monaghan que procuram uma menina de quatro anos, raptada num bairro degradado de Boston. À medida que investigam o caso, o desespero da mãe aumenta, e percebem que nada é o que parece. Polícia e os marginais se entrecruzam num mundo em que afinal todos podem ser culpados. Eles arriscam tudo, a sua sanidade mental e até as suas próprias vidas para tentarem encontrar a menina, mesmo sabendo que são raros os casos de crianças que são encontradas após as primeiras 24 horas.

Com uma narrativa, que flui sem maiores dificuldades o filme tem o mesmo ritmo do também ótimo Sobre Meninos e Lobos (Mystic River) de Clint Eastwood. Muito da narrativa se deve ao escritor dos livros que originaram as duas historias.

Com uma atuação sempre segura o ator Casey Affleck, se mostra uma escolha acertada para o papel, independente do grau de parentesco com o seu diretor. Se mostrando as vezes explosivo, ora contido e que nos revela pouco mas o suficiente para sabermos que aquele detetive tem um passado com raízes profundas naquela região onde se desenvolve toda a historia,  e é justamente por isso que o filme não leva uma nota máxima, poderia ser dado uma maior ênfase ao passado do nosso protagonista, para sabermos como foi sua vida. Em dois momentos específicos do filme isso nos deixa transparecer, em um momento que um traficante local oferece cocaína e que ele simplesmente diz que não usa a muito tempo e outra em que ele conversa com um policial após um enterro e que se mostra muito amigo do mesmo. Deslizes de um diretor iniciante, mas que não comprometem a película.

O elenco secundário também é um show a parte, a atriz Michelle Monaghan que faz sua parceira e companheira também se mostra bastante competente mostrando todo o sofrimento que o casal tem passado durante o caso, e o que dizer de Ed Harris e Morgan Freeman, com suas atuações dão ao filme uma credibilidade que o mesmo precisava para uma vida mais longa nos circuitos, sendo Ed Harris um ator sempre interessante, com atuações sempre muito intensas e memoráveis. Contudo o maior responsável por todo o mérito do filme mais uma vez é Ben Affleck que nos transmite uma direção segura e competente, e acredito que tenha uma carreira promissora por trás das câmeras num futuro próximo.

Nota: 8,0

Amor a Queima Roupa – True Romance

•abril 14, 2010 • Deixe um comentário

A partir de hoje tentarei escrever uma série de matérias sobre filmes que considero importantes, por considerar ser uma boa história, ou simplesmente por motivos que nem sei explicar.

Começo falando sobre um filme da década de 90, na verdade uma excelente historia de amor, contada de outra maneira, não da maneira tradicional como trata a maioria das comedias românticas, que tem um padrão de inicio meio e fim; o garoto e a garota se apaixonam são extremamente apaixonados, mas passam o filme todo separados para no fim do filme encontrar a tão sonhada felicidade, esqueça isso, apague esta idéia da cabeça. O que acontece aqui é a desconstrução dessa idéia, o felizes para sempre existe, mas a estrada de tijolos amarelos não é amarela e sim branca (perdoem o trocadilho) uma estrada que se mistura com uma maleta cheia de cocaína, muitas mortes e um The End justo do tamanho da obra.

O filme é uma história de amor distorcida pela ótica hiperativa do diretor de Pulp Fiction. Em Amor à Queima-Roupa, assistimos ao encontro do vendedor Clarence Worley (Christian Slater), um vendedor solitário, com Alabama (Patricia Arquette, linda), uma garota recém-chegada do interior. Eles compartilham gostos: quadrinhos de super-heróis, filmes asiáticos de artes marciais, hambúrguer com batata fritas. É paixão instantânea. Se conhecem no cinema (onde mais?) e se casam na manhã seguinte.

Clarence, no entanto, fica incomodado com o passado recente da garota. Ela fez programas durante alguns dias a mando de um cafetão, Drexl (Gary Oldman). Clarence resolve fazer uma visitinha ao rapaz. O encontro termina em um banho de sangue e rende, para Clarence, uma mala cheia de cocaína pura. Ao invés de ver na droga um problema, o vendedor enxerga uma chance de ficar milionário. Ruma, então, para Hollywood, onde quer tentar passar a coca para algum barão do cinema, sem saber que tem uma quadrilha de violentos mafiosos italianos no encalço.

Amor a queima roupa tem uma gama de elementos que Tarantino reciclaria nos filmes seguintes como diretor. Os filmes asiáticos de Sonny Chiba entrariam em Kill Bill. A mala de cocaína é o leitmotiv de Jackie Brown. Tiroteios bizarros e imprevisíveis aparecem em Pulp Fiction e no último filme Bastardos Inglórios.  A quantidade de vezes que a palavra Fuck é falada no filme, não conseguiu contar, mas são muitas vezes! O memorável monólogo do pai de Clarence sobre os sicilianos e os negros está à altura da teoria de Bill sobre o Super-Homem (Kill Bill Vol. 2). E o que falar do também monologo sobre Elvis que Clarence (fanático pelo mesmo), faz no inicio do filme, que se sua vida dependesse de fazer sexo com um homem ele seria o Elvis! (estilo mais Tarantino impossível). A lista é interminável.

Mas Amor a Queima Roupa não é somente essas colagens a La Tarantino, o filme tem uma dinâmica intensa, que em momento algum deixa o mesmo ficar monótono.

O filme é dirigido por Tony Scott, (diretor dos filmes de ação como Top Gun, Dias de Trovão ambos com Tom Cruise) irmão do grande diretor Ridley Scott, que eliminou a narrativa fragmentada e colocou uma ação linear, mas que funciona muito bem, característica que acredito eu, não seria usada caso Tarantino tivesse sido o diretor, entretanto o filme não lembra em nada um filme de Tony Scott, devido ao seu estilo, facilmente visível em outros filmes; mas independente disso, o filme tem muitas qualidades. O senso de humor demente, sozinho, já faria da produção um excelente exemplo de como Hollywood pode, raras vezes, ser refrescante e original. Observe o diálogo travado durante o impagável encontro entre os personagens de Dennis Hopper (o pai de Clarence) e Christopher Walken (um mafioso siciliano). É coisa para rolar de rir na cadeira, um momento brilhante que os dois atores veteranos transformam em uma cena deliciosa, ficando difícil enumerar as qualidades desse filme

Outro ponto interessante no filme foi o fato da quantidade de atores envolvidos na produção, acredita-se que muito se deve ao sucesso de Cães de Aluguel em Hollywood, com a chegada de um novo roteirista com idéias inovadoras. Muitos desses atores fazendo pequenas pontas em que quase não apareciam seus rostos.

Conta-se que com o dinheiro da venda dos roteiros de Amor a Queima Roupa e Assassinos por Natureza (Natural Born Killers) de Oliver Stone que custaram untos uma bagatela de R$ 50.000 dólares, foi iniciado a pré – produção de Cães de Aluguel seu primeiro filme como diretor.

Observamos que isto é uma prova de como o cinema americano estava em plena mudança na época, nos mostrando a força do cinema independente que tem se mostrado eficiente e de melhor qualidade que o cinema comercial.

Não quero me alongar mais no meu texto, como já disse outra vez, como todo filme de Tarantino, que considero como sendo dele devido a gama de referencias, é do tipo ame ou odeie, curta o filme e aproveite que é diversão garantida.

Nota: 8,5