Bem vindo ao mundo real

A mais precisamente 10 anos atrás nas matérias das revistas especializadas de cinema, como de praxe, eram apresentados os próximos lançamentos do cinema para o ano que se sucedia.

Um filme chamava a atenção dentre tantos outros, numa nota de pé de página sobre uma história de ficção cientifica que vinha como novidade, algo que nunca tinha sido contada, na mão de dois irmãos diretores estreantes, que tinham criado tudo isso, seu nome Matrix. Em outra matéria dessa vez com apresentações colossais, vinha à apresentação da reinvenção dos personagens do cinema criados por George Lucas, Star Wars, uma das franquias mais lucrativas da história, e que vinha com fama de abocanhar o público de todo o mundo com o filme.

 A coisa mais lógica era esperar por Star Wars. E foi isso que muitos fizeram. Com o passar do tempo as noticias que chegavam pelos veículos de informação era que o filme de pé de página, começava com uma carreira fulminante nos cinemas, e a cada dia que passava, aumentava mais e mais o seu público e por conseqüência o culto ao mesmo.

Uma propaganda maciça dos meios de comunicação sobre o filme fazia com que as pessoas ficassem muito instigadas a assistirem -no. Mas o que é a Matrix, até hoje não se tem necessariamente uma explicação lógica do que ela é, foi ou será; apenas existe no inconsciente das pessoas. Misturando referencias de toda uma cultura pop, os irmãos Wachovsky os diretores e roteiristas do longa criaram um universo de personagens e um mundo, em que desde você não sabe o que é real ou imaginário, referencias a Kung Fu, Mangá, Filosofia Cultura Oriental, Ficção Cientifica, Religião, Literatura Ciberpunk, Inteligencia Artificial, entre outros assuntos, com um caldeirão de influencias seria muito fácil perder o rumo da história, mas o filme corre de uma maneira imperceptível, aos olhos do espectador comum. A história:

Matrix tem como tema a luta do ser humano, por volta do ano de 2200, para se livrar do domínio das máquinas que evoluíram após o advento da Inteligência Artificial. Em um recurso extremo para derrotar as máquinas, a humanidade cobriu a luz do Sol para cortar o suprimento de energia das mesmas, mas elas adotam um solução radical: como cada ser humano produz, em média, 120 volts de energia elétrica, começam a cultivá-los em massa como fonte de energia. Para que o cultivo fosse eficiente, os seres humanos passaram a receber programas de realidade virtual, enquanto seus corpos reais permaneciam mergulhados em habitáculos nos campos de cultivo. Essa realidade virtual, que é um programa de computador ao qual todos são conectados, chama-se Matrix e simula a humanidade do final do século XX.

Há, porém, perto do calor do centro da terra, uma última cidade de seres humanos livres, que mandam missões em naves para combater as máquinas. O líder de uma dessas missões é Morpheus, um visionário que vislumbra em um dos habitantes da matrix o “escolhido”, que vem a ser Neo, vivido por Keanu Reeves.

Neo é resgatado de seu casulo, sacado da ilusão da realidade virtual e passa a ser treinado por Morpheus. A questão filosófica principal que o filme traz é justamente essa: O que é o real?

Em sua saga, Neo atinge o status de Escolhido, no sentido messiânico da palavra, ao ressuscitar e conseguir, dentro da própria Matrix, controlar o programa e derrotar os mecanismos antivírus, personalizados por agentes vestidos de terno e óculos escuros. Do ponto de vista do programa, os humanos livres são os vírus do planeta Terra.

O filme é notório por suas inovações em efeitos especiais e na ação terem acabado por criar diversos clichês no cinema, como as imagens de projéteis se deslocando dentre ondas em câmera lenta. Mas seu verdadeiro valor é filosófico, ao explorar o tema da realidade confrontada à ilusão do quotidiano.

O filme é repleto de mensagens sutis, dentre as quais a de que a máquina jamais controlará o homem, pois seu “comportamento” é baseado em programas e programas podem ser entendidos pela complexa mente humana que transcende a simples racionalidade da lógica ao constituir o ser integralmente. Por isso as mensagens do Oráculo, uma senhora que cozinha biscoitos, são aparentemente equivocadas e ilógicas, mas ao final condizem com a realidade.

Matrix foi escrito como uma trilogia (Matrix, Matrix Reloaded, Matrix Revolutions), porém apenas o primeiro filme virou sucesso de bilheteria. A continuidade da história não agradou nem ao grande público nem à crítica, pois o conteúdo filosófico da trama, presente no primeiro filme, diminuiu ou desapareceu na opinião de muitos. Porém, os fãs do estilo cyberpunk consideram a trilogia inteira uma obra prima. Matrix é uma obra de arte multimídia, a história inteira do “universo matrix” está presente nos 3 filmes, em 9 desenhos animados, chamados Animatrix (o primeiro desenho conta uma história que se passa entre o primeiro e o segundo filme da trilogia), em histórias em quadrinhos (lançadas apenas nos EUA) e no jogo “Enter the Matrix”(que completa a história do filme Matrix Reloaded).

Um produto da estética pós-moderna, Matrix faz uma espécie de bricolagem de vários elementos: filmes de ficção científica (The Terminator, Metrópolis), animes (Ghost in the Shell), H.Q.s, filosofia (Platão, Descartes, etc.), religião (Budismo Tibetano, Messianismo Judaico-Cristão), informática (Realidade Virtual, Inteligencia artificial), literatura cyberpunk (Neuromancer, de William Gibson) e etc.

Matrix foi o poder da idéia, que fez com que todo esse culto sobre o tema tomou Até que ponto a vida que levamos existe, é real, ou é um simulacro de alguma coisa maior em que se está inserido nesse contexto, a principal idéia que ela nos passa é essa. Matrix foi o filme que inseriu em Hollywood, o título Blockbuster inteligente, onde o filme não é um mero espetáculo de diversão e sim de reflexão sobre os temas tratados, mudou a maneira de enxergar o cinema de grandes orçamentos, pelos efeitos utilizados e da quantia empregada em sua realização. Com o inicio da era da internet, foi a melhor maneira que se utilizou em sua divulgação, foi um sucesso a venda de DVDs, onde foi o pioneiro no mercado.

Enfim, uma gama de informações vieram a tona com o filme, e habitam o imaginário das pessoas no mundo. Matrix foi imitado muitas e muitas vezes, mas nada conseguiu superar seu êxito critico e comercial, um dos maiores filmes de todos os tempos, senão a última grande história do cinema, poucos sabem do que estou falando. Mas, ainda depois de 10 anos se um hacker me oferecer a pílula vermelha ao invés da azul, eu a escolheria, e ia até saber onde é a toca do coelho branco …  

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~ por Zach em fevereiro 9, 2009.

Uma resposta to “Bem vindo ao mundo real”

  1. Eu sou doido pra ter os três filmes. Concordo em gênero, número e grau com você. Um dia ainda compro a caixa com todos!

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