Quando Led Zeppelin encontra Luis Gonzaga

Jorge[1]

Garimpando alguns discos da década de 90 produzidos no Brasil, descobri algumas preciosidades não tão famosas quanto outros que habitaram a cena musical.  Nesse período, as bandas que viriam aparecer começaram a fazer sons que tinham influências externas; mas ao mesmo tempo com referências dos movimentos regionais que permeiam a cultura brasileira.

E, sem sombra de dúvida, venho a confirmar que o cenário musical  mais produtivo da década que se passou foi a cidade de Recife, um caldeirão de efervescência musical que tinha como pano de fundo um movimento chamado de MangueBeat devido aos seus principais influentes: Chico Science & Nação Zumbi, hoje sem o nome do seu idealizador, e Mundo Livre SA.

Surgida na mesma safra do movimento, mas com uma musicalidade que não tinha muito a ver com os seus conterrâneos, uma banda me chamou a atenção pela sua sonoridade: Jorge Cabeleira, lembrando alguma coisa de rock antigo meio retro, hard rock, blues rock, com uma musicalidade que lembra o Led Zeppelin e o Black Sabath, contudo sem o excesso de virtuosismo nos solos, a banda faz um som bastante trampado e com influências de sons nordestinos a la Luiz Gonzaga com letras sobre a seca nordestina, o diabo como influência de todos os males no geral.

O primeiro disco é bastante experimental. O Dia Em Que Seremos Todos Inúteis tem participação especial de Zé Ramalho na faixa Os Segredos de Sumé, e tem uma sonoridade ainda em formação prestes a ser lapidada – acredito muito pela falta de um produtor mais competente – a música de trabalho foi a canção Carolina de autoria de Luís Gonzaga. Esta não mostra muito a sonoridade do disco em questão, passando quase desapercebido pelos ouvintes. Entretanto, quando eles lançaram o segundo disco, o excelente Alugam-se casas para o carnaval, a banda consegui fazer um disco coeso e conceitual, no qual as letras giram em torno do fim do mundo, sobre o Diabo ( como sua influência afeta a vida das pessoas). Na verdade, isso é uma presença constante em suas letras das músicas.

Com uma sonoridade mais pesada e mais arrastada do que o disco anterior, ele se distanciou do som que fez anteriormente; melhor produzido e que tem mais a ver com o título citado acima com as influencias do baião (mais marcantes fazendo um casamento perfeito com o hard rock da década de 60 e 70). Vale à pena conferir este disco, pela qualidade musical apresentada pelos brazucas e como venho a dizer há uns anos atrás: “os artistas pernambucanos são fodas no que se propõem a fazer”; e que a baianada não veja isso que eu escrevi…

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~ por Zach em maio 27, 2009.

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