A Volta dos que não foram

Depois de um bom tempo sem escrever eis que volto ao hábito da escrita, muitas coisas aconteceram nesse período e não vem ao caso ficar dando maiores explicações. Prefiro acreditar que a falta de inspiração para escrever tomou conta de min, por um breve hiato de tempo e que tardava em não ir embora.

Pois bem, como todo admirador de música em especial o rock, e sabendo que dia 13 de julho é considerado o Dia Mundial do Rock (já se passou). Com o hábito da leitura de assuntos relacionados no mesmo, durante alguns meses quem tem acompanhado as noticias especializadas, sabe da volta de muitas bandas que eram dadas como mortas, e por algum motivo começaram a voltar (daí o título do texto). Por inúmeros motivos: sejam eles financeiros, pra sustentar seus vícios e devaneios, pra apresentar aos jovens de hoje em dia como se faz música de verdade, ou simplesmente porque ainda tinham muita lenha pra queimar, a exemplo disso, Queen com Paul Rodgers, Smashing Pumpkins, Alice in Chains, Stone Temple Pilots e sem contar nas bandas que continuam na ativa e que nos brindam com seus novos trabalhos o caso do Pearl Jam (que goza de um sucesso devido ao seu primeiro trabalho), entre outras tantas que me faltam a memória;  só pra citar alguns exemplos. Dessas bandas citadas apenas o Queen e o Alice In Chains (que se espera muito devido ao principal letrista Jerry Cantrel continuar a compor suas músicas para a banda) voltaram com novos vocalistas embora o Queen já se desfez novamente.

Depois de uma breve explicação, eu entro de cabeça no assunto, para falar sobre uma das bandas mais espetaculares surgidas na década de 80, e que tem sido cartilha básica pra um tipo de som que eles mesmos renegam até hoje, o New Metal. Seu nome Faith no More, surgida em 1982 das cinzas de uma banda chamada Faith no Man, o FNM se lançou no mercado com uma sonoridade nada convencional para os padrões da época, mas que não foram tão bem sucedidos. Depois de dois discos com o vocalista Chuck Moseley, “We Care A Lot e Introduce Yourself”, o mesmo foi demitido da banda, depois dos membros admitirem que ele tivesse saído por sua dependência de alcoól. Sem um vocalista definido começaram as procuras por um novo frontman. Diz a lenda que faltando duas semanas antes da gravação do disco, por indicação de Jim Martin(um dos integrantes fundadores), através de uma demo de uma banda chamada Mr. Bungle, que o próprio ouviu, ficou maravilhado com um vocalista esquálido e de corpo franzino mas com um alcance vocal como poucos, seu nome Mike Patton.

Com a banda na sua formação clássica, Mike Patton entrou no Faith No More direto para o estúdio onde a banda gravou The Real Thing”, lançado em 1989. The Real Thing é um verdadeiro divisor de águas na carreira do grupo, com canções mais bem resolvidas e com o carisma de Mike Patton contribuindo para transformar o Faith No More num grande sucesso comercial.

A canção responsável pela transição foi “Epic”, que com seu arranjo grandioso que faz jus ao título da canção, vocal hip-hop e refrão grudento, a banda chegou ao estrelato e seu vocalista ao status de frontleader. Com mais dois singles de sucesso, “Falling to Pieces” e “From Out Of Nowhere”, o disco The Real Thing chega ao décimo primeiro lugar nas paradas americanas e atinge um milhão de cópias vendidas somente nos Estados Unidos.

Depois de dois anos de turnê, era hora de pensar no próximo disco e as gravações não foram tranqüilas. O guitarrista Jim Martin estava descontente com os rumos que a sonoridade da banda vinha tomando. Rumores dão conta de que ele participou muito pouco das composições, limitando-se a enviar pelo correio as bases de guitarras em fitas K7 aos outros integrantes da banda.

Em meio à grandes expectativas, Angel Dust foi lançado em 1992 e apontava para outras direções. Descartava definitivamente o rótulo funk metal e vinha recheado de temas mais mórbidos e sombrios. Propositalmente designado para chocar os fãs temporários, a banda apostou em sonoridades inusitadas, longe do hit fácil “Epic” que carimbava a banda até aquele momento. Diferente do que aconteceu com The Real Thing, em Angel Dust Mike Patton participou de todo o processo criativo do disco, e pôde exercitar o experimentalismo e o gosto pelo bizarro que marcou o seu trabalho no Mr. Bungle. Musicalmente, a banda também mostrava evolução, incorporando elementos eletrônicos e teclados mais climáticos, proporcionando uma atmosfera cinematográfica a algumas canções, mostrando um dominio sobre seus instrumentos o FNM criaram seu melhor álbum, e se mostraram mais uma vez ser uma banda extremamente afiada ao vivo. Os videoclipes coloridos do álbum passado deram lugar a vídeos sombrios, que faziam questão de negar o lado “sex symbol” que o líder possuía na época. A crítica americana não mostrou muito entusiasmo e o disco acabou não tendo a mesma repercussão de The Real Thing. Nos demais países, no entanto, o Faith No More continuava enorme, e seu lugar privilegiado nas paradas de sucesso era garantido pelos singles de Midlife Crisis e A Small Victory. O terceiro single de Angel Dust foi para uma canção que na verdade não estava no disco: “Easy”, o cover dos Commodores que a banda vinha tocando ao vivo há tempos e que finalmente ganhou uma versão de estúdio. “Easy” foi devidamente incluída em Angel Dust nas prensagens subseqüentes ao lançamento do single.

Com o sucesso do disco a banda saiu em uma mega turnê que acabaria com o desgaste do guitarrista Jim Martin pela banda, e conseqüentemente sua saída, com o fim da turnê o que já esperado ocorreu e saída do seu guitarrista, causando com isso uma queda considerável na qualidade dos seus álbuns seguintes não ocorrendo a mesma repercussão de seus albuns anteriores. Seus trabalhos posteriores King for a Day …Fool for a Life Time e Album of the year, foram seguidos de insucesso onde com isso  banda preferiu se desfazer, e cada um de seus integrantes se lançou suas carreiras,  muitos deles tocando com outros músicos, principalmente Mike Patton, que continuou seu trabalho com o Mr Bungle, e agora Fantômas, Tomahawk, e Lovage.

Há um tempo circulou-se na internet o boato de que a banda estava prestes a voltar para uma seqüência de shows e para o lançamento de um disco inédito, e minhas esperanças foram concretizadas depois do anuncio do show da volta, e assistindo ao show vi que o Faith no More voltou com a mesma garra de sempre e Mike Patton continua cantando igual ou melhor do que cantava, e quanto aos outros integrantes o único da formação original que não fez parte do show da volta foi o guitarrista Jim Martin, o restante está reunido. Enfim é muito bom ver uma grande banda fazer um verdadeiro ataque sonoro ao vivo. E que continue assim por mais anos nos mostrando como é se fazer um bom e velho Rock’nroll. Abaixo alguns momentos distintos da banda.

Midlife Crisis (Phoenix Festival \’97)

Epic

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~ por Zach em julho 21, 2009.

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