Bastardos Inglórios

Quase 5 anos se passaram desde que o diretor e roteirista mais criativo dos anos 90 Quentin Tarantino, lançou seu último filme Kill Bill, (Á prova de morte não conta por se tratar de uma parceria com um de seus colaboradores mais freqüentes), muito se especulava sobre o que seria tratado no seu próximo filme.

Quando os veículos de informação noticiaram que seu próximo longa seria sobre um grupo de soldados na segunda guerra mundial, muitos torceram o nariz, pois achavam que todas as boas historias sobre a guerra já tivessem sido contadas. Como fã assumido de Tarantino esperava ansiosamente sobre sua nova obra prima, e cada noticia que chegava aos meus olhos e ouvidos, mais expectativa era criada pelo produto que seria apresentado.

Considerado como o roteiro que Tarantino não conseguia terminar o diretor anunciou no penúltimo festival de cinema de Cannes que seu filme seria lançado no mesmo festival no ano seguinte. E foi justamente isso que aconteceu, o filme foi lançado em Cannes desse ano.

Considerando, que todas as boas historias sobre o tema proposto acima já foram contadas, Tarantino usa um fato histórico com personagens históricos (Hitler e Goebbels) para montar seu filme em um universo paralelo onde sua cabeça é quem determina os rumos tomados naquele evento.

Com atuações mais que precisas de seus personagens, o diretor amarra uma historia envolvendo duas histórias que se encontraram no desfecho final.

A primeira fala de uma judia, Shosanna (Mélanie Laurent) que é obrigada a fugir, depois que a mesma assiste a execução de sua família pelo coronel Hans Landa (Christoph Waltz) (que é um achado), e foge para uma cidade francesa onde ela muda de identidade, e se torna dona de um cinema. A segunda narra o cotidiano de um grupo de soldados americanos chamados Bastardos Inglórios liderados pelo tenente Aldo Raine (Bradd Pitt) (mais caricato impossível), que tem como única obrigação assassinar soldados alemães.

A premissa acima não revela grandes coisas ou grandes informações, pois só assistindo o filme para entender todas as referências que Tarantino se propõe a misturar. Desde a música inicial aos diálogos, e ao final assustador o filme nos mostra uma homenagem ao cinema como arte, a abertura do filme que nos lembra o inicio dos filmes faroeste de Sérgio Leone, a escolha de Enio Morricone para a trilha sonora, o sotaque de Brad Pitt a la Marlon Brando, o nome do filme, a historia de guerra, tudo toma grandes proporções mas sem nunca perder seu ritmo, e acima de tudo, sendo um filme de Tarantino.

Confesso que algumas coisas me chamaram a atenção, a primeira delas a falta de um ator que estivesse com sua carreira perdida e que apareceu como forma de reencontrar o rumo do seu trabalho, vide alguns de seus filmes anteriores (John Travolta, Uma Thurman, David Carradine). Segundo o filme é narrado em três línguas diferentes, muita coragem de sua parte por utilizar dessa maneira, fazendo com isso a meu ver, uma certa crítica ao cinema americano em que todas as suas produções são rodadas em sua língua natal, independente do local onde o fato se desenvolve. A escolha de um ator consagrado e de nome para encabeçar seu elenco e a maior de todas elas o coronel Hans Landa, o caçador de judeus, que com uma atuação destruidora ofuscava todos os outros atores em cena, roubando todos os olhares para si (vide a maneira como ele se mostra um gentleman mas mostrando a sua verdadeira face cruel).

Uma cena me chamou bastante atenção, uma característica de Tarantino é a da elevação da tensão que seus espectadores se acostumaram, a cena o restaurante em que tudo começa com uma simples bebedeira e que tem um desfecho altamente brutal, vide a violência retratada; sendo a melhor cena do longa com seus closes nos rostos dos personagens e na tensão que os mesmos vão sendo submetidos.

Contudo fica a ressalva, ame ou odeie, esse não é um filme que os críticos mais ferrenhos de suas produções iram gostar, pois todos os elementos do cineasta estão lá, violência gráfica, bons e longos diálogos, divisão do filme em capítulos entre outras coisas das quais passaria o resto do dia a escrever.

NOTA: 9,0

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~ por Zach em dezembro 22, 2009.

Uma resposta to “Bastardos Inglórios”

  1. Bela resenha, talvez uma das melhores que você já fez. E o filme é realmente muito bom, Tarantino voltando à forma.

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