Guerra ao Terror – The Hurt Locker

Um dos franco favoritos ao Oscar, Guerra ao Terror teve sua estréia no Brasil primeiramente, lançado diretamente em DVD, para depois de uma carreira de críticas positivas e se sagrando vencedor de premiações dentre elas  os festivais de Veneza e Toronto (sendo ovacionado em ambas) e que são prévias do grande evento do cinema mundial, estreou nos cinemas do país na ultima sexta feira. Uma das coisas que eu não entendo nas distribuídoras de filmes no país, tem sido a falta de critério para exibição e distribuição de filmes por aqui, filmes importantes que tem carreiras interessantes fora e aqui a muito não passaram, a exemplos disso Redacted de Brian de Palma e À Prova de Morte de meu diretor favorito Quentin Tarantino que não tiveram carreiras cinematográficas e não se tem sinal nem nas locadoras.

O filme me lembra muito o inicio de Vício Frenético, que comentei a alguns dias, em que você é atirado dentro do filme. O roteiro acompanha uma equipe de soldados norte-americanos cuja especialidade reside em desarmar bombas plantadas por insurgentes iraquianos durante a mais recente guerra patrocinada pelo governo dos Estados Unidos, Com uma lógica de combate completamente distinta daquela praticada no Vietnã, cujos embates se passavam na maior parte em matas fechadas, a guerra do Iraque é essencialmente um conflito urbano – e, assim, cada prédio, janela, esquina ou monte de lixo pode representar uma ameaça em potencial para os soldados do exército invasor. Essa atmosfera de perigo constante que inspira uma quase paranóia por parte dos militares, aliás, é ilustrada de maneira impecável já na seqüência inicial, que, tensa e muitíssimo bem construída, estabelece o tom que dominará toda a narrativa.

Filmado em tom documental, o longa da diretora Kathryn Bigelow aborda um tema que foi muito abordado e que ainda continua em pauta, a Guerra do Iraque, muito disso se dá pelo fato de ter sido a única guerra que tínhamos acompanhamento quase que em tem real diante das informações que nos eram transmitidas, devido ao uso excessivo de câmeras pessoais, muitas vezes de próprios celulares de posse muitas vezes dos próprios soldados.

Trazendo no centro de sua trama o experiente sargento William James, Jeremy Renner, como uma escolha acertada ao papel, a construção do personagem se dá de maneira quase que instantânea, a partir do momento que ele tem contato com seus subordinados e nos apresenta um homem que vem a ser o exemplo de super soldado, sempre infalível diante da missão que lhe é passada. Com o passar do tem percebemos que as coisas não são tão fáceis para este soldado, e o vemos que diante de toda aquela roupa de super herói existe uma pessoa comum que desempenha seu papel nem sempre bem feito diante das instruções que lhe são passadas. E é exatamente em cima disso que o filme entra para o rol dos grandes clássicos sobre guerra assim como Platoon, Apocalypse Now, Nascido para Matar, entre tantos outros é a maneira como o mesmo age diante da guerra e como a mesma o afeta diretamente. Nos longas citados anteriormente vemos o que acontece com os soldados, a maneira com que ela age nas vidas dos soldados em sua maioria os tornando loucos, presos em seus mundos por seus medos, pagando seus pecados, muitas vezes se tornando violentos depois da experiência que são submetidos tais homens. Em Guerra ao Terror, a Guerra para o sargento William é como se fosse uma droga que faz com que o mesmo não queira abandoná-la devido ao efeito que ela causa em seu emocional, lhe trazendo euforia, alivio, afugenta seus medos entre outros. Mas este homend e um certo modo é preso a este mundo que o mesmo não consegue se libertar, em certa cena ele se atira sob um chuveiro com sua roupa de super homen e o que vemos é o sangue escorrer pelo traje, mesmo este sangue não sendo seu, uma metáfora que acredito ser eu que independente da situação a guerra te deixa marcas sangrentas.

Mas não é somente pelo protagonista que o filme se segura, com um elenco de apoio formidável como o segundo sargento no comando Anthony Mackie que nem sempre concorda com as atitudes do primeiro no comando sendo de certa forma o personagem que age sempre com razão ao invés da emoção e de Brian Geraghty, que é o contraponto entre as duas personalidades fortes dos seus líderes no comando, e mostrando ser o mais inseguro dos três que não entende os motivos do mesmo se encontrar naquele conflito e não quer morrer naquele lugar. Vale ressaltar também a escolha de atores consagrados para fazer pontas de luxo, méritos a Guy Pearce, David Morse, Ralph Fiennes, que acredito que foi apenas para ser um chamariz pela audiência.

A diretora Kathryn Bigelow, especialista em filmes de ação imprime ao longa sua maneira de filmar, com a câmera na mão e perseguindo os personagens como se fosse uma das integrantes daquela pequena equipe, também busca salientar o tom de improviso típico de um documentário através de rápidos zooms e de uma montagem que, mesmo repleta de energia, jamais apela para o estilo entrecortado e ininteligível de tantas obras do gênero. Há de se admirar também como o filme salta de sequencia a sequencia sem nunca parecer forçada sempre com fluidez, mantendo o espectador sempre inquieto graças aos obstáculos cada vez mais ameaçadores enfrentados por aqueles homens.

Ao final da projeção vemos que o personagem de Jeremy Renner sempre seguro de si no confronto, sabe que diante das situações comuns da vida que é demonstrada em um breve dialogo com sua esposa, sabe que não vai ter o mesmo equilíbrio emocional encontrado enquanto estava diante das situações que o mesmo encontrou no Iraque, tornando com isso um filme antibelicista.

Com o final da projeção a conclusão à qual chegamos é que, mesmo que o corpo sobreviva à guerra, o espírito humano é invariavelmente destruído pelo terror e pela violência aos quais submetemos nossos irmãos neste triste planeta (retirado do Cinema em Cena).

Nota: 9,0

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~ por Zach em fevereiro 19, 2010.

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