Amor a Queima Roupa – True Romance

A partir de hoje tentarei escrever uma série de matérias sobre filmes que considero importantes, por considerar ser uma boa história, ou simplesmente por motivos que nem sei explicar.

Começo falando sobre um filme da década de 90, na verdade uma excelente historia de amor, contada de outra maneira, não da maneira tradicional como trata a maioria das comedias românticas, que tem um padrão de inicio meio e fim; o garoto e a garota se apaixonam são extremamente apaixonados, mas passam o filme todo separados para no fim do filme encontrar a tão sonhada felicidade, esqueça isso, apague esta idéia da cabeça. O que acontece aqui é a desconstrução dessa idéia, o felizes para sempre existe, mas a estrada de tijolos amarelos não é amarela e sim branca (perdoem o trocadilho) uma estrada que se mistura com uma maleta cheia de cocaína, muitas mortes e um The End justo do tamanho da obra.

O filme é uma história de amor distorcida pela ótica hiperativa do diretor de Pulp Fiction. Em Amor à Queima-Roupa, assistimos ao encontro do vendedor Clarence Worley (Christian Slater), um vendedor solitário, com Alabama (Patricia Arquette, linda), uma garota recém-chegada do interior. Eles compartilham gostos: quadrinhos de super-heróis, filmes asiáticos de artes marciais, hambúrguer com batata fritas. É paixão instantânea. Se conhecem no cinema (onde mais?) e se casam na manhã seguinte.

Clarence, no entanto, fica incomodado com o passado recente da garota. Ela fez programas durante alguns dias a mando de um cafetão, Drexl (Gary Oldman). Clarence resolve fazer uma visitinha ao rapaz. O encontro termina em um banho de sangue e rende, para Clarence, uma mala cheia de cocaína pura. Ao invés de ver na droga um problema, o vendedor enxerga uma chance de ficar milionário. Ruma, então, para Hollywood, onde quer tentar passar a coca para algum barão do cinema, sem saber que tem uma quadrilha de violentos mafiosos italianos no encalço.

Amor a queima roupa tem uma gama de elementos que Tarantino reciclaria nos filmes seguintes como diretor. Os filmes asiáticos de Sonny Chiba entrariam em Kill Bill. A mala de cocaína é o leitmotiv de Jackie Brown. Tiroteios bizarros e imprevisíveis aparecem em Pulp Fiction e no último filme Bastardos Inglórios.  A quantidade de vezes que a palavra Fuck é falada no filme, não conseguiu contar, mas são muitas vezes! O memorável monólogo do pai de Clarence sobre os sicilianos e os negros está à altura da teoria de Bill sobre o Super-Homem (Kill Bill Vol. 2). E o que falar do também monologo sobre Elvis que Clarence (fanático pelo mesmo), faz no inicio do filme, que se sua vida dependesse de fazer sexo com um homem ele seria o Elvis! (estilo mais Tarantino impossível). A lista é interminável.

Mas Amor a Queima Roupa não é somente essas colagens a La Tarantino, o filme tem uma dinâmica intensa, que em momento algum deixa o mesmo ficar monótono.

O filme é dirigido por Tony Scott, (diretor dos filmes de ação como Top Gun, Dias de Trovão ambos com Tom Cruise) irmão do grande diretor Ridley Scott, que eliminou a narrativa fragmentada e colocou uma ação linear, mas que funciona muito bem, característica que acredito eu, não seria usada caso Tarantino tivesse sido o diretor, entretanto o filme não lembra em nada um filme de Tony Scott, devido ao seu estilo, facilmente visível em outros filmes; mas independente disso, o filme tem muitas qualidades. O senso de humor demente, sozinho, já faria da produção um excelente exemplo de como Hollywood pode, raras vezes, ser refrescante e original. Observe o diálogo travado durante o impagável encontro entre os personagens de Dennis Hopper (o pai de Clarence) e Christopher Walken (um mafioso siciliano). É coisa para rolar de rir na cadeira, um momento brilhante que os dois atores veteranos transformam em uma cena deliciosa, ficando difícil enumerar as qualidades desse filme

Outro ponto interessante no filme foi o fato da quantidade de atores envolvidos na produção, acredita-se que muito se deve ao sucesso de Cães de Aluguel em Hollywood, com a chegada de um novo roteirista com idéias inovadoras. Muitos desses atores fazendo pequenas pontas em que quase não apareciam seus rostos.

Conta-se que com o dinheiro da venda dos roteiros de Amor a Queima Roupa e Assassinos por Natureza (Natural Born Killers) de Oliver Stone que custaram untos uma bagatela de R$ 50.000 dólares, foi iniciado a pré – produção de Cães de Aluguel seu primeiro filme como diretor.

Observamos que isto é uma prova de como o cinema americano estava em plena mudança na época, nos mostrando a força do cinema independente que tem se mostrado eficiente e de melhor qualidade que o cinema comercial.

Não quero me alongar mais no meu texto, como já disse outra vez, como todo filme de Tarantino, que considero como sendo dele devido a gama de referencias, é do tipo ame ou odeie, curta o filme e aproveite que é diversão garantida.

Nota: 8,5

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~ por Zach em abril 14, 2010.

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