O Ritual

Depois de um hiato de quase um ano sem escrever neste blog, vou falar sobre um filme que me chamou muito a atenção, pude conferir ontem e confesso que superou e muito minhas expectativas.

Dirigido pelo diretor Mikael Håfström, dos competentes 1408 e Fora de Rumo, o filme é uma grata surpresa no mundo de mesmice que impera nas produções Hollywoodianas dos últimos anos, mesmo não sendo uma refilmagem ou uma franquia já pré-estabelecida.

Baseado no livro The Rite, de Matt Baglio, o filme mostra um seminarista reticente sendo enviado ao Vaticano para um curso de exorcismo. Baglio, um jornalista que conviveu com tais clérigos especializados em expulsar o mal, decidiu escrever um livro relatando as experiências do citado padre, Gary Thomas, quando foi alardeado que a Santa Sé visava colocar um exorcista em cada uma de suas dioceses.

Na verdade, o protagonista do filme, com quem se perde muito tempo é um jovem pobre, que vai para o seminário porque assim pode ter uma educação melhor. Só que não tem fé e pensa em largar o convento (um superior dele o ameaça até de cobrar-lhe o que foi gasto em educação com o moço). Quem faz o papel de Michael Kovak interpretado no filme pelo pouco conhecido Colin O’Donoghue, inexpressivo a não ser pela presença de dois luminosos olhos azuis que sempre são ressaltados em cena.

Mandado para a Itália, o país da moda no momento no cinema, para estudar numa escola  superior de exorcismo ele vira aluno do Padre Xavier (Ciaran Hinds) que o irá encaminhar para a figura alquebrada do Padre Lucas Trevant vivido com grande força pelo grande ator Anthony Hopkins (que se tornou um ator repetitivo seus personagens são nuances de seu personagem mais marcante Hanibal Lecter ) que vive numa aldeia, na tarefa anônima e cotidiana de realizar exorcismos, na luta contra o diabo (no caso, uma menina que parece dominada por ele, que está disposto a levar uma batalha sem tréguas).

O que mais me surpreendeu no filme, foi a maneira como o mesmo foi conduzido, sem cenas que lembram o terror gore (de muito sangue) que está tão em alta no cinema mundial, e dando ênfase mais aos diálogos e o certo clima de suspense que o filme vai tomando com o andamento da projeção. Na verdade é um filme de terror que não pretende nos mostrar sustos fáceis (não que eles não existam), mas ele tem a intenção de mostrar a parte realista do ato do exorcismo em si. Não esperem giros de pescoço, vômitos verdes, blasfêmias, esse tipo de coisa que se convencionou em filmes do tipo, como o Padre Lucas deixa bem claro em uma pergunta feita pelo padre Michael.

Um dos problemas do roteiro, o grande astro do filme, o veterano Anthony Hopkins só aparece no filme depois de meia hora de projeção. Com uma atuação bastante segura e eficiente, ele nos mostra porque é um dos melhores da sua geração, falando muito em italiano, tem várias nuances (como ficar cansado, ate mesmo em certo momento possuído pelo diabo), sempre acrescentando um pouco de humor. Em contrapartida o protagonista Colin O’Donoghue (sempre cético quanto aos métodos utilizados pelo padre Lucas, vendo nestes farsas, e sempre com explicações cientificas para tais atos) não mostra-nos a força que o personagem exige, com feições quase sempre idênticas, nunca nos convencendo. O elenco secundário se mostra uma escolha bastante acertada, a sempre competente Alice Braga (com uma carreira bastante promissora no cinema), fazendo uma jornalista que investiga sobre exorcismos, interpretando em um excelente inglês, Ciaran Hinds como o padre que ministra o curso sobre exorcismos, a bela Marta Gastin, (que não conhecia) como a garota possuída pelo demônio, o ator Toby Jones, como o professor mais próximo de Michael e Rutger Hauer como o pai de Michael, esses dois últimos em pequenas interpretações.

Como havia falado anteriormente pelo fato de ser um filme que não segue uma formula pré-estabelecida para filmes do gênero, muitos vão sair do cinema decepcionados, mas quem procura um filme interessante, que nos passa o clima de insegurança e o mais assustador de tudo isso, baseado em fatos reais, pode assistir vale à pena conferir em tela grande.

A partir de agora não atribuirei notas, deixarei a critério de cada leitor decidir ou não a conferida no filme.

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~ por Zach em março 2, 2011.

Uma resposta to “O Ritual”

  1. Que bom que voltou a postar aqui. sei como é difícil manter uma regularidade de textos, nos rouba muito tempo. Esse é o tipo de filme que quando vi a chamada pensei: “não deve ter aí nada que me faça ir ao cinema assistir”. A resenha até despertou a curiosidade, mas vou esperar sair na “Torrentlandia”.

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