Guerra ao Terror – The Hurt Locker

•fevereiro 19, 2010 • Deixe um comentário

Um dos franco favoritos ao Oscar, Guerra ao Terror teve sua estréia no Brasil primeiramente, lançado diretamente em DVD, para depois de uma carreira de críticas positivas e se sagrando vencedor de premiações dentre elas  os festivais de Veneza e Toronto (sendo ovacionado em ambas) e que são prévias do grande evento do cinema mundial, estreou nos cinemas do país na ultima sexta feira. Uma das coisas que eu não entendo nas distribuídoras de filmes no país, tem sido a falta de critério para exibição e distribuição de filmes por aqui, filmes importantes que tem carreiras interessantes fora e aqui a muito não passaram, a exemplos disso Redacted de Brian de Palma e À Prova de Morte de meu diretor favorito Quentin Tarantino que não tiveram carreiras cinematográficas e não se tem sinal nem nas locadoras.

O filme me lembra muito o inicio de Vício Frenético, que comentei a alguns dias, em que você é atirado dentro do filme. O roteiro acompanha uma equipe de soldados norte-americanos cuja especialidade reside em desarmar bombas plantadas por insurgentes iraquianos durante a mais recente guerra patrocinada pelo governo dos Estados Unidos, Com uma lógica de combate completamente distinta daquela praticada no Vietnã, cujos embates se passavam na maior parte em matas fechadas, a guerra do Iraque é essencialmente um conflito urbano – e, assim, cada prédio, janela, esquina ou monte de lixo pode representar uma ameaça em potencial para os soldados do exército invasor. Essa atmosfera de perigo constante que inspira uma quase paranóia por parte dos militares, aliás, é ilustrada de maneira impecável já na seqüência inicial, que, tensa e muitíssimo bem construída, estabelece o tom que dominará toda a narrativa.

Filmado em tom documental, o longa da diretora Kathryn Bigelow aborda um tema que foi muito abordado e que ainda continua em pauta, a Guerra do Iraque, muito disso se dá pelo fato de ter sido a única guerra que tínhamos acompanhamento quase que em tem real diante das informações que nos eram transmitidas, devido ao uso excessivo de câmeras pessoais, muitas vezes de próprios celulares de posse muitas vezes dos próprios soldados.

Trazendo no centro de sua trama o experiente sargento William James, Jeremy Renner, como uma escolha acertada ao papel, a construção do personagem se dá de maneira quase que instantânea, a partir do momento que ele tem contato com seus subordinados e nos apresenta um homem que vem a ser o exemplo de super soldado, sempre infalível diante da missão que lhe é passada. Com o passar do tem percebemos que as coisas não são tão fáceis para este soldado, e o vemos que diante de toda aquela roupa de super herói existe uma pessoa comum que desempenha seu papel nem sempre bem feito diante das instruções que lhe são passadas. E é exatamente em cima disso que o filme entra para o rol dos grandes clássicos sobre guerra assim como Platoon, Apocalypse Now, Nascido para Matar, entre tantos outros é a maneira como o mesmo age diante da guerra e como a mesma o afeta diretamente. Nos longas citados anteriormente vemos o que acontece com os soldados, a maneira com que ela age nas vidas dos soldados em sua maioria os tornando loucos, presos em seus mundos por seus medos, pagando seus pecados, muitas vezes se tornando violentos depois da experiência que são submetidos tais homens. Em Guerra ao Terror, a Guerra para o sargento William é como se fosse uma droga que faz com que o mesmo não queira abandoná-la devido ao efeito que ela causa em seu emocional, lhe trazendo euforia, alivio, afugenta seus medos entre outros. Mas este homend e um certo modo é preso a este mundo que o mesmo não consegue se libertar, em certa cena ele se atira sob um chuveiro com sua roupa de super homen e o que vemos é o sangue escorrer pelo traje, mesmo este sangue não sendo seu, uma metáfora que acredito ser eu que independente da situação a guerra te deixa marcas sangrentas.

Mas não é somente pelo protagonista que o filme se segura, com um elenco de apoio formidável como o segundo sargento no comando Anthony Mackie que nem sempre concorda com as atitudes do primeiro no comando sendo de certa forma o personagem que age sempre com razão ao invés da emoção e de Brian Geraghty, que é o contraponto entre as duas personalidades fortes dos seus líderes no comando, e mostrando ser o mais inseguro dos três que não entende os motivos do mesmo se encontrar naquele conflito e não quer morrer naquele lugar. Vale ressaltar também a escolha de atores consagrados para fazer pontas de luxo, méritos a Guy Pearce, David Morse, Ralph Fiennes, que acredito que foi apenas para ser um chamariz pela audiência.

A diretora Kathryn Bigelow, especialista em filmes de ação imprime ao longa sua maneira de filmar, com a câmera na mão e perseguindo os personagens como se fosse uma das integrantes daquela pequena equipe, também busca salientar o tom de improviso típico de um documentário através de rápidos zooms e de uma montagem que, mesmo repleta de energia, jamais apela para o estilo entrecortado e ininteligível de tantas obras do gênero. Há de se admirar também como o filme salta de sequencia a sequencia sem nunca parecer forçada sempre com fluidez, mantendo o espectador sempre inquieto graças aos obstáculos cada vez mais ameaçadores enfrentados por aqueles homens.

Ao final da projeção vemos que o personagem de Jeremy Renner sempre seguro de si no confronto, sabe que diante das situações comuns da vida que é demonstrada em um breve dialogo com sua esposa, sabe que não vai ter o mesmo equilíbrio emocional encontrado enquanto estava diante das situações que o mesmo encontrou no Iraque, tornando com isso um filme antibelicista.

Com o final da projeção a conclusão à qual chegamos é que, mesmo que o corpo sobreviva à guerra, o espírito humano é invariavelmente destruído pelo terror e pela violência aos quais submetemos nossos irmãos neste triste planeta (retirado do Cinema em Cena).

Nota: 9,0

Vicio Frenético – Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans

•fevereiro 9, 2010 • Deixe um comentário

Mostrando-se como uma refilmagem de um longa comandado por Abel Ferrara de 1992 (que não assisti), este filme retrata a vida de um policial que como o próprio nome já diz vive a vida freneticamente. Em que suas ações nem sempre condizem com o grau de respeito que o policial atingiu dentro de sua corporação.

O filme começa poucas horas após o desastre que o furacão Katrina provocou em Nova Orleans, na qual somos jogados repentinamente dentro de uma historia que já está acontecendo e temos que acompanha-lá sem ter necessariamente um ponto de inicio. Dentro dessa premissa, vemos um policial se atirando n’água, que pelo visto não era das mais limpas para salvar um preso, logo depois em nova cena o mesmo é recém-promovido a tenente. Um caso de chacina toma sua atenção, seis meses depois da passagem do furacão: uma família de imigrantes senegaleses foi assassinada, e suspeita-se de envolvimento dos traficantes de droga da vizinhança. Enquanto a investigação se desenrola, Terence tem seus próprios problemas para resolver. Pra começar: dívidas de apostas, dores nas costas, abuso de drogas e um pai que está querendo parar de beber.

Com essa sequência inicial, vemos no decorrer do longa as ações que o detetive Terence McDonagh vivido magistralmente e com sua intensidade habitual que Nicholas Cage impõe ao personagem. Ele nos passa essa certeza, que a cada hora que longa avança, o quão degradante tem se tornado a vida desse homem, que nos transmite ser um homem bom, mas que devido à circunstancias as quais está mergulhado tem um declínio extremo de moral. Seu personagem namora uma prostituta, faz uso de drogas para se manter no controle.

Um personagem profundamente complexo e que só poderia ter sido interpretado por um ator que entende de excentricidade tal como Nicholas Cage; é curioso perceber como o mesmo se comporta, a medida que as dores nas suas costas aumentam, sempre andando de um jeito estranho como se estivesse com os ombros suspensos e o pescoço pra baixo, como se carregasse um fardo sobre suas costas; e ao passo que o  seu vicio em drogas se desenvolve tendo atitudes ou tiques que em outro ator se tornaria motivo de riso, não que nesse filme não seja, mas devido a sua interpretação vemos a situação pelo qual esse home se encontra. Em dada cena quando vemos o mesmo pronunciar “O Bagulho ta doido!”, percebemos o quanto está perturbada a mente desse homem, que realmente não tem noção do que está se passando.

Outro ponto a se comentar é o restante do elenco, que mesmo aparecendo poucas vezes na tela nos passa a sensação de desgaste que os mesmos estão; vivendo numa cidade destruída tendo se reestruturar, que nos é mostrado numa metáfora na qual a personagem de Eva Mendes vai para uma clinica de recuperação para encontrar um recomeço para sua vida.  Val Kilmer (considero que o mesmo seja um ator subestimado pela critica) aparece sendo o parceiro de nosso anti herói sendo um policial que se mostra muito mais instável e com uma índole muito mais cruel a do nosso protagonista. Michael Shannon se mostra muito competente como um policial decadente a anos.

É curioso notar, por exemplo, pontos precisos para realizar escaladas no delírio do protagonista – e a maneira com que ele decide fazê-lo, enfocando iguanas em planos fechadíssimos que, rodados com a câmera na mão e em 16mm, cria uma atmosfera de estranhamento que cumpre perfeitamente este propósito.

Depois de tudo ser dito do filme, nada disso teria surtido esse efeito se não fosse o diretor Werner Herzog, que desde o inicio de sua careira, que sabe trabalhar e lidar com atores excêntricos (vide suas obras com Klaus Kinsky), fez com que Nicholas Cage tivesse sua melhor atuação dos últimos anos, mostrando um belíssimo trabalho desse ator que se subestima com papeis inexpressivos. E se achamos que o filme é simplesmente uma viagem sem volta  ao mundo das drogas, Herzog nos brinda com um final que subverte todos os filmes sobre drogas e que dá margem a muitas reflexões, como uma escolha não muito obvia para para seu final. Não é o seu melhor filme mas entra como um dos bons filmes do ano que se passou

Nota : 8,0

Sherlock Holmes

•fevereiro 3, 2010 • Deixe um comentário

Como leitor assíduo das mídias de informação sobre o cinema, foi com muita atenção e simpatia que logo após a conclusão do filme Rocknrolla, o diretor Guy Ritchie, informou que seu novo filme seria sobre o detetive mais famoso e mais conhecido no mundo: Sherlock Holmes, o que me deixou de certo modo esperançoso, mas ao mesmo tempo apreensivo. Em seu debut no cinema ele se mostrou um diretor bastante promissor, com Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, com sua narrativa acelerada, cortes rápidos, diálogos interessantes e o melhor de tudo um filme sobre gangster com o habitual humor inglês. Saiu-se novamente bem sucedido no seu segundo filme, Snatch, Porcos e Diamantes, desta vez com Brad Pitt na linha de frente em mais um filme que remetia ao submundo criado no primeiro filme.

Dando continuidade a sua carreira, Guy não conseguiu se mostrar mais tão promissor quanto sua estréia. Bastou o tempo e alguns tropeços para o mesmo lançar mais um filme de gângster (Rocknrolla) e dar um novo ânimo em sua carreira. Muitos disseram que seu casamento com a Mega Pop Star Madonna tinha acabado com sua criatividade, sendo isso o fator primordial para sua queda produtiva.

Era necessário toda essa explicação para chegar no filme em questão, devido a esses percalços em sua filmografia, estive temeroso quanto ao produto que viria a ser lançado. Pois bem com o anuncio de Robert Downey Jr. como protagonista podíamos esperar que um trabalho de qualidade nos seria apresentado e a medida que foram sendo anunciados o restante do elenco tinha-se mais motivos pra comemorar, Jude Law como Dr. Watson, era a cereja do bolo já que o personagem principal era um ator não inglês, sabíamos que poderia ter um certo tipo de criticas a produção por isso como houve recentemente em Constantine.

Depois de todo esse imbróglio vamos ao filme em questão, que começa com o último caso que Holmes e Watson têm que desvendar, um homem chamado Lorde Blackwood (Mark Strong) foi apanhado pelo detetive e a Scotland Yard, prestes a cometer um crime – o sacrifício de uma garota em um ritual de magia negra. Com sua condenação à morte, finalmente a assustada Londres pode respirar aliviada… até que Blackwood ressuscita, com um plano ainda mais maligno. Enquanto isso, Holmes tem que lidar com uma antiga rival, Irene Adler (Rachel McAdams), que também surge sem aviso. Em paralelo a isso, o seu ajudante e fiel parceiro, está prestes a se casar e deixar de lado a vida de aventuras investigativas.

O que todos se perguntam é como o novo Holmes iria aparecer na pele de um ator americano baixo, de estrutura corpórea forte, muito diferente do que a maioria das pessoas conhece, e subvertendo o que todos conheciam. O que a maioria das pessoas não sabia é que Holmes era um excelente boxeador, esgrimista, violinista e altamente inteligente.

Com única exceção a arte da esgrima, todas as outras qualidades são colocadas a mostra, sendo a que mais me chamou a atenção foi a sua velocidade de raciocínio, principalmente no que se tratava de lutas, pela percepção dos pontos fracos dos seus oponentes, tudo isto visualizados em câmera lenta.

Mais uma vez Downey Jr. se mostra a escolha acertada para o papel; com um sotaque britânico inconfundível ele nos brinda com uma interpretação perfeita, ora arrogante de sua inteligência acima da média, ora generosa, admirando as conclusões tiradas pelo seu parceiro. Com interpretações precisas os dois atores mostram um química perfeita em tela, quase que um bromance, fazendo com que acreditemos na sua amizade no passar dos tempos, em contrapartida os atores secundários nos brindam com interpretações mornas sem chamar muito a atenção dentro do longa.

Com o término da projeção percebemos que é evidente a necessidade do filme de criar-se uma franquia, coisa tão comum e freqüente no cinema de hoje em dia, dando um mote sobre a existência do Professor Moriarty, o maior rival do famoso detetive, acredito que pode vir filmes melhores pela frente, mas como inicio de franquia é diversão garantida.

Nota: 7,5

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•dezembro 23, 2009 • 1 Comentário

Passados 12 anos desde a ultima incursão no cinema de James Cameron; muitas coisas me vêm à cabeça desde o lançamento daquele que foi o filme de maior bilheteria da historia do cinema, muitos torceram o nariz e afirmaram com veemência que o filme seria um fiasco sem tamanho, o filme mais caro da história a ser produzido iria afundar como o navio de mesmo nome levando junto consigo a carreira de seu diretor, mas tudo isso foi revertido quando em sua estréia, o filme deu uma prévia do que estava por vir.

Sucesso de público e boas criticas alavancaram ao filme a premiação máxima no Oscar sendo vencedor em 11 categorias inclusive de Filme e diretor (particularmente não gostei do filme por se tratar de uma historia de amor comum em que o navio era utilizado meramente como pano de fundo, mas que tem seus pontos positivos por ter um roteiro enxuto e que prendia o expectador na poltrona do cinema). Depois desse espaço de tempo a sensação que se tinha a respeito de seu novo projeto era o mesmo a estréia de Titanic que poderia ser um fiasco. A cada noticia que nos chegava da mídia especializada a mesma nos deixava apreensivos. Muito se divulgou que o filme seria uma revolução na maneira de como se fazer e de presenciar o cinema, seria a nova revolução, tal como a mudança dos filmes mudos para os filmes com som assim como dos pretos e brancos para os coloridos.

Toda essa introdução era necessário para explicar toda mística que foi criada em torno do novo filme de Jim Cameron. Trazendo uma narrativa que combina seqüências filmadas em sets com outras geradas completamente por computadores o filme narra a historia do ex fuzileiro naval Jake Sully (Sam Worthington) que se alista num projeto do governo americano com a missão de substituir o irmão gêmeo falecido, na intenção de colonizar o Planeta Pandora, localizado na galáxia Alfa Centauro, como o ar respirado no planeta é impróprio para os humanos, são criados Avatares híbridos com DNA alienígena e humano onde por um processo que sua consciencia passa para o seu Avatar correspondente.

Aparentemente uma historia comum, se quem estivesse por trás das câmeras não fosse um grande diretor, ele é concebido como uma espécie de Dança com Lobos, futurista em que faz varias referencias a outros filmes, tais como Matrix, A Missão e pela atitude dos habitantes do planeta Pandora, me lembrou muito O Último dos Moicanos, principalmente em suas vestimentas e cortes de cabelo.

No desdobrar do enredo percebemos que nosso personagem principal começa a se identificar com o povo chamado aqui de Na’Vi e acaba se apaixonando pelos costumes e principalmente por uma alien de nome Neityri(Zoe Saldanha), onde Jake vai de encontro com o líder da missão o coronel Quaritch (Stephen Lang).

Com uma direção precisa Cameron detalha cada trecho de Pandora e nos faz acreditar que aquilo realmente existe e tem vida e que não foi invenção de sua mente (ele desenvolveu toda a vegetação do Planeta baseado em documentários que o mesmo fez no fundo do mar nesse tempo afastado dos cinemas), as cenas noturnas são incríveis mostrando animais e plantas que brilham no escuro, plantas que acendem uma luz a medida que se pisa e tantas outras coisas que perderia horas e horas a falar.

Mas nada disso seria possível se a interatividade dos habitantes do planeta com sua fauna e flora fosse tão crível aos olhos do espectador, onde se consegue entender o porque daquela ligação entre os três.

O filme também levanta uma critica ferrenha ao governo americano, com sua política de dominação, que não poupa civilizações: com suas culturas, credos e muito menos seus costumes em prol de algo que seja em beneficio próprio. Ele nos deixa essa questão para ser refletida, pensada, discutida e por vezes por que não dizer seguida, os motivos que levam os humanos da terra para o planeta lembrou-me muito os colonizadores europeus com sua política de extração e dominação, e mais recentemente os EUA que em busca de petróleo levantou e levanta uma verdadeira empreitada contra os países do Oriente Médio (fui longe) para satisfazer suas necessidades.

Mas a ultima questão a ser levantada é sobre a revolução a qual James Cameron se propôs a nos apresentar. Confesso que esperava mais do que nos foi apresentado, mas é absurdamente superior a outras tecnologias de captura de movimento, que os movimentos são perfeitos e complexos, a interação dos humanos com fauna, flora e aliens é fantástica vide a qualidade, em momento algum percebemos o que é gerado por computador e o que é cenário, nada disso seria possível se as atuações não fossem no mínimo perfeitas, Zoe Saldanha com uma atuação perfeita, encanta com seus movimento graciosos e temos a sensação que ela realmente existe. E se o ator Andy Serkis interpretando Gollum, em Senhor dos Anéis, mereceria uma indicação pela sua interpretação, não me admira que ela seja indicada como atriz coadjuvante. Com tudo que já se foi falado duas coisas me chamaram a atenção a primeira foram os olhos que nunca em filmes com captura tinham vida, enquanto nesses eles não somente quebram essa barreira assim como percebe-se em varias vezes na produção a dilatação dos mesmos.

James Cameron nos brinda com um ótimo filme, em que ele mistura vários estilos, sejam Sci Fi, filmes de conquista, a espera realmente foi gratificante, e esperemos que ele não demore tanto tempo para nos brindar com outra obra prima.

Nota: 10,00 8,00

Bastardos Inglórios

•dezembro 22, 2009 • 1 Comentário

Quase 5 anos se passaram desde que o diretor e roteirista mais criativo dos anos 90 Quentin Tarantino, lançou seu último filme Kill Bill, (Á prova de morte não conta por se tratar de uma parceria com um de seus colaboradores mais freqüentes), muito se especulava sobre o que seria tratado no seu próximo filme.

Quando os veículos de informação noticiaram que seu próximo longa seria sobre um grupo de soldados na segunda guerra mundial, muitos torceram o nariz, pois achavam que todas as boas historias sobre a guerra já tivessem sido contadas. Como fã assumido de Tarantino esperava ansiosamente sobre sua nova obra prima, e cada noticia que chegava aos meus olhos e ouvidos, mais expectativa era criada pelo produto que seria apresentado.

Considerado como o roteiro que Tarantino não conseguia terminar o diretor anunciou no penúltimo festival de cinema de Cannes que seu filme seria lançado no mesmo festival no ano seguinte. E foi justamente isso que aconteceu, o filme foi lançado em Cannes desse ano.

Considerando, que todas as boas historias sobre o tema proposto acima já foram contadas, Tarantino usa um fato histórico com personagens históricos (Hitler e Goebbels) para montar seu filme em um universo paralelo onde sua cabeça é quem determina os rumos tomados naquele evento.

Com atuações mais que precisas de seus personagens, o diretor amarra uma historia envolvendo duas histórias que se encontraram no desfecho final.

A primeira fala de uma judia, Shosanna (Mélanie Laurent) que é obrigada a fugir, depois que a mesma assiste a execução de sua família pelo coronel Hans Landa (Christoph Waltz) (que é um achado), e foge para uma cidade francesa onde ela muda de identidade, e se torna dona de um cinema. A segunda narra o cotidiano de um grupo de soldados americanos chamados Bastardos Inglórios liderados pelo tenente Aldo Raine (Bradd Pitt) (mais caricato impossível), que tem como única obrigação assassinar soldados alemães.

A premissa acima não revela grandes coisas ou grandes informações, pois só assistindo o filme para entender todas as referências que Tarantino se propõe a misturar. Desde a música inicial aos diálogos, e ao final assustador o filme nos mostra uma homenagem ao cinema como arte, a abertura do filme que nos lembra o inicio dos filmes faroeste de Sérgio Leone, a escolha de Enio Morricone para a trilha sonora, o sotaque de Brad Pitt a la Marlon Brando, o nome do filme, a historia de guerra, tudo toma grandes proporções mas sem nunca perder seu ritmo, e acima de tudo, sendo um filme de Tarantino.

Confesso que algumas coisas me chamaram a atenção, a primeira delas a falta de um ator que estivesse com sua carreira perdida e que apareceu como forma de reencontrar o rumo do seu trabalho, vide alguns de seus filmes anteriores (John Travolta, Uma Thurman, David Carradine). Segundo o filme é narrado em três línguas diferentes, muita coragem de sua parte por utilizar dessa maneira, fazendo com isso a meu ver, uma certa crítica ao cinema americano em que todas as suas produções são rodadas em sua língua natal, independente do local onde o fato se desenvolve. A escolha de um ator consagrado e de nome para encabeçar seu elenco e a maior de todas elas o coronel Hans Landa, o caçador de judeus, que com uma atuação destruidora ofuscava todos os outros atores em cena, roubando todos os olhares para si (vide a maneira como ele se mostra um gentleman mas mostrando a sua verdadeira face cruel).

Uma cena me chamou bastante atenção, uma característica de Tarantino é a da elevação da tensão que seus espectadores se acostumaram, a cena o restaurante em que tudo começa com uma simples bebedeira e que tem um desfecho altamente brutal, vide a violência retratada; sendo a melhor cena do longa com seus closes nos rostos dos personagens e na tensão que os mesmos vão sendo submetidos.

Contudo fica a ressalva, ame ou odeie, esse não é um filme que os críticos mais ferrenhos de suas produções iram gostar, pois todos os elementos do cineasta estão lá, violência gráfica, bons e longos diálogos, divisão do filme em capítulos entre outras coisas das quais passaria o resto do dia a escrever.

NOTA: 9,0

Akira

•outubro 20, 2009 • Deixe um comentário

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Quando comecei a escrever matérias neste blog queria ter uma abordagem minha, completamente diferente sobre temas e assuntos dos quais eu gostava.  Com essa proposta comecei colocando algumas matérias sobre cinema, cultura pop, contra-cultura, música entre outras.

Lendo uma matéria em um blog de um amigo meu, ele tinha escrito uma crítica sobre um longa de animação (na verdade um filme).

Sendo uma de minhas paixões também, os desenhos sempre me fascinaram, pois era a única mídia que tinha a possibilidade de ter reais interpretações de seus personagens sendo elas em alguns casos quase humanas. Entrei em toda essa apresentação para citar um filme que considero quase perfeito devido a sua historia, as referências as quais ele presta, e outras coisas que serão explanadas com o passar do texto.

Pois bem, o filme que me refiro Akira, a obra prima de Katsuhiro Otomo, um filme que faz claras referências ao universo Cyberpunk.

A história desenrola-se em Neo-Toquio, uma cidade do Japão que é reconstruída (sobre o que é hoje a Baía de Tóquio) depois de ter sido destruída na III Guerra Mundial. Com o passar do tempo constatamos que a III Guerra Mundial foi (supostamente) iniciada pelo crescimento incontrolável de poderes sobrenaturais de uma criança chamada Akira, que foi registrado num programa governamental secreto de pesquisa. No tempo real do enredo, 30 anos depois da III Guerra Mundial, uma gangue de motoqueiros liderados por Kaneda é envolvido numa luta com a gangue rival, quando o membro mais novo do gangue de Kaneda, Tetsuo, colide numa auto-estrada com uma criança misteriosa que havia escapado do programa de investigação psíquica secreta do governo. Tetsuo é depois levado pelos responsáveis deste programa governamental juntamente com a criança, e são sujeito às mais diversas experiências. O incidente com a criança misteriosa bem como os testes realizados acordaram os poderes latentes de Tetsuo, com desastrosas conseqüências tanto a nível pessoal, bem como conflitos interpessoais com os seus amigos, e a nível mais amplo, uma vez que Neo-Tóquio é novamente ameaçada por outro incidente. (Retirado do Wikipédia)

Inicialmente Akira foi concebido com a idéia de uma revista pelo seu criador que foi posta em circulação. Conforme sua historia fosse escrita, e visto seu potencial cinematográfico teve-se o interesse de levá-lo ao cinema, o que fez que o processo de criação da revista fosse ficado de lado (para mais tarde ser retomado) em prol de outra mídia, e que exigia um trabalho maior de seu criador, e sua equipe criativa. Seguindo a mesma premissa com algumas diferenças para se adequar ao novo formato, foi realizado um trabalho impecável da equipe de desenhos, que fizessem que todos os movimentos e feições do rosto tal como a fala, respiração, piscar de olhos, fosse perfeitamente interpretados pelos personagens, as vozes e fisionomias eram perfeitas, criando para a época uma coisa nunca antes pensada devido a tal o apuro técnico.

Mas e a historia funciona? Sim, os japoneses que sempre foram um povo preocupado com as questões nucleares nos brindam com uma visão da juventude, sem expectativa de vida, que se unem e se transformam em gangues como forma de sobreviver em um local de extrema hostilidade, a visão que se tem do futuro da civilização nos remetem a muitos filmes em que o futuro é imerso no caos, o mais próximo Blade Runner – O Caçador de Andróides

Posteriormente, não existe um anime de Akira, só se sabe que o filme em anime foi criado através dos fatos acontecidos no MANGÁ. AKIRA (o filme) foi produzido entre em meados de 1987, sendo um filme audacioso; longa metragem de 124 minutos tendo como principal mídia o cinema.

Akira gira em torno da idéia básica de indivíduos com poderes sobre-humanos, em particular as capacidades psicocinéticas, mas grande parte da história não se concentra apenas nestas capacidades, mas, sobretudo nas pessoas envolvidas, problemas sociais e políticos. O comentário social não é particularmente profundo ou filosófico, mas, sobretudo um olhar crítico sobre a alienação da juventude, a ineficiência e corrupção do governo, e um sistema militarizado, desagradado com os compromissos da sociedade moderna.

Como não poderia ser mais comum, o filme foi baseado no mangá homônimo. O lançamento no Japão aconteceu no dia 16 de Julho de 1988, exatamente o mesmo em que Tókio é destruída no filme. Akira foi um divisor de águas. Depois dele, as produções japonesas ganharam uma visibilidade e notoriedade nunca antes vista.

Com o sucesso de Akira, produtores de Hollywood estão em processo de trazer uma versão em live action do filme, só que dessa vez será com atores de verdade, que será uma versão americana para o clássico do anime. A cidade de Neo Tokio seria substituída por New Manhattan na versão do cinema, que seria equivalente a cidade reconstruída no pós apocalipse do anime. Outra possibilidade divulgada é a de que Leonardo di Caprio assuma o papel de Kaneda e Joseph Gordon Levitt ser Tetsuo. Comentem.

Beatles mostram que ainda sabem fazer sucesso!

•outubro 15, 2009 • Deixe um comentário

Uma noticia pegou as pessoas que apreciam a música como eu, desprevenidas. O tão aguardado relançamento da discografia oficial dos Beatles no dia 9 de setembro deste ano (já se passou) em edições totalmente remasterizadas.

Desde o aparecimento dos primeiros CDs com as gravações dos vinis, que os fãs mais ardorosos dos Quatro rapazes de Liverpool não aceitaram a forma e o tratamento que deram as canções do grupo. Sendo estas, meramente copias dos discos originais sem nenhum apuro técnico e nenhum trabalho dos engenheiros de som, os tais discos tinham qualidade bastante inferior aos vinis.

Foram necessários quatro anos, até que a equipe de engenheiros da Abbey Road Studio conseguisse dar a sonoridade tão desejada por George Martin nos discos quando os mesmos ainda eram em Mono. Na verdade uma sonoridade tão boa em Stereo. Tudo isso feito nos mínimos detalhes e com o máximo de apuro técnico possível.

Em todo o mundo foram lançados os 13 álbuns, que foram estabelecidos como discografia oficial e mais o álbum Past Masters Vol. 1 e Vol. 2, e para colecionadores mais xiitas, ainda dois Boxes um contendo os discos nas versões em Mono e um na versão em Stereo.

Mas depois de pouca explicação, algumas perguntas podem vir a ser feitas: a qualidade dos discos realmente impressiona, este lançamento seria realmente necessário? A resposta pra essas e outras perguntas é simples: SIM.

Ainda não tive a oportunidade de escutar todos os discos, mas pelo que pude conferir de alguns discos, posso ter certeza que as bolachinhas prateadas estão realmente perfeitas, a qualidade apresentada nas canções é incrível. O som dos Beatles nunca soou tão pesado e tão jovial, e olha que escutei apenas A Hard Day’s Night, Meet the Beatles e Help!; os instrumentos que mal eram ouvidos a exemplo o baixo parece mais encorpado e com mais vigor, a bateria é altamente destruída e me parece muito mais pesada e as guitarras parecem que são até mais bem tocadas, no fim das contas os instrumentos soam bem melhores e mais limpos, as vozes estão conseguem atingir um alcance até então nunca escutado nos CDs. Deve-se salientar também que todos os outros instrumentos que aparecem no decorrer dos discos, parecem muito mais sonoros; no conjunto total a obra deixa de ter aquele aspecto de som abafado e ganha muito em qualidade. Um trabalho de mestre, a altura dos músicos que foram Lennon e Harrison e que ainda são McCartney e Star.

Mas como todo lançamento na indústria fonográfica, eles vão deixar os interessados em adquirí-los alguns trocados mais pobres. As bolachinhas vão chegar com os valores entre 35,00 (discos simples) e 50,00 (discos duplos) reais enquanto os Boxes especiais vão custar em torno de 900,00 (caixa stereo) e 1200,00 (caixa mono) reais, valores bem salgados se considerarmos a atual situação que a indústria da música se encontra.

Todo esse alvoroço se deve principalmente pelos 40 anos de vida do álbum Let it Be, álbum que saiu depois do término da banda que também contou com um jogo de videogame para tais comemorações e os relançamentos.

Depois de tudo que já foi falado e escutado sobre os Beatles fica a tão incensada pergunta, será que as gerações posteriores (assim como eu) aos quatro rapazes de Liverpool, estão preparados para eles ou o som que eles produziam pode soar datado, poderá este ser o ultimo súspiro da indústria fonográfica, ou será uma nova retomada? Fica a pergunta. Comentem.